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Desafios e oportunidades do agro foram tema do Conecta Expoagro Afubra

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Nesta quinta-feira, 18, o Conecta Expoagro Afubra – Especial online, ligando o campo e a cidade, promovido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), realizou o webinar “Os desafios e oportunidades do agronegócio”. Com apresentação e mediação da jornalista Lizemara Prates, o painel teve a presença, no estúdio, do diretor-presidente da Agro-Comercial Afubra, Romeu Schneider. Como convidados, participaram, virtualmente, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Guy de Capdeville; o presidente do Sistema Farsul (Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Gedeão Pereira; e o professor da Universidade de são Paulo (USP) e Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fava Neves.

Todos os painelistas concordaram que o agronegócio brasileiro está em ótimo momento, porém, apontaram desafios que precisam ser levados a sério, especialmente, quando se trata das atividades dos produtores familiares. Romeu Schneider falou da diversificação de culturas, que já é uma realidade nas propriedades produtoras de tabaco. Ao lembrar os fundamentos da Afubra, ele disse que um dos objetivos de criação da entidade foi promover, também, as culturas de subsistência. Além do apoio aos produtores, a Afubra foi responsável por inserir tecnologias nas propriedades, pois buscava apresentar os insumos mais modernos aos produtores e sempre estimulando a diversificação. “Especialmente, na década de 1970, a Afubra se preparou para prestar orientação técnica, dentro da ideia de que não se deve colocar todos os ovos numa mesma cesta”, relatou.

Conforme Schneider, atualmente, são mais de 100 técnicos que prestam serviços, orientação e direcionamento para os agricultores, visitam as propriedades e ajudam os produtores a encontrarem caminhos para que o trabalho tenha mais facilidade e rentabilidade. “No nosso Centro de Difusão Agropecuária (CDA) somos multiplicadores de tecnologias, inclusive, para outros estados, como é o caso das cultivares de batata-doce”, conta. “Pensando na sustentabilidade do produtor, também ampliamos nossa participação em energia renovável, investimos em energia solar para fornecer ao agricultor essa opção que reduz os custos de produção”, contou.

Por sua vez, o diretor-executivo de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, Guy de Capdeville, ressaltou que o agro vem ajudando a economia a não ter impactos profundos no atual triste cenário. Para ele, colocar a pesquisa e tecnologia a serviço do campo é fundamental para que a produção rural continue no atual patamar. “Temos unidades que vêm trabalhando modelos de produção com melhor uso do solo, por exemplo”, relatou. “Temos que trabalhar com soluções que nos ajudem e a tecnologia da informação faz isso. Outro aspecto que considero, é a perspectiva da moderna bioeconomia, que pode trazer soluções para agregar mais valor à produção” disse.

Capdeville contou, ainda, que a Embrapa tem ações visando a comprovação de sustentabilidade, como é o caso da Carne Carbono Neutro (CCN). Além disso, o executivo lembrou da importância das políticas públicas e do papel da pesquisa para propor ações de apoio ao setor. “Neste momento, na perspectiva de que o produtor precisa da nossa assistência técnica, disponibilizamos cursos no nosso portal, para levar transferência de tecnologia aos produtores rurais de uma maneira geral”, explica. Outras ações da Embrapa são estudos na área de aproveitamento de resíduos e pesquisas visando aumento da produtividade por área.

O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, enfatizou que o agro brasileiro é reconhecido como uma grande potência mundial. “Até os embaixadores da China e dos Estados Unidos reconhecem isso. O Brasil está sendo olhado pelo mundo todo, por ser uma potência de fornecimento. Em 1970, éramos importadores de alimentos e agora estamos, em plena pandemia, abastecendo o Brasil e o mundo. Isso mostra a potência que o agronegócio se tornou”, relatou. Sobre os negócios com tabaco, ele disse que se trata de um produto importante nas exportações. “Tive a oportunidade de visitar uma indústria de tabaco e vi que é de primeiríssima em termos de sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e qualidade.”

Ao analisar o agro gaúcho, Gedeão comentou que a avicultura e suinocultura do estado estão com problemas por causa do milho, isso porque o clima só permite uma safra do grão. “Temos que fazer o Rio Grande do Sul produzir duas safras”, salientou, lembrando da importância da irrigação. “A seca prejudicou, isso por causa das licenças ambientais, que é um gargalo que não está sendo corrigido aqui no Rio Grande do Sul”, lamentou. Outros problemas que afetam a atividade rural, apontados pelo presidente da Farsul, são infraestrutura e logística. “Sempre vamos produzir mais e mais alimentos, pois o país que pode conduzir isso é o Brasil; mas, temos esse gargalo da

infraestrutura”, ressaltou. “No ano passado, perdemos 40% da safra de soja e 20% da safra de milho e poderíamos não perder nada se tivéssemos irrigação.”

E Marcos Fava Neves, professor da Universidade de São Paulo e Fundação Getúlio Vargas, explicou que o cenário político e econômico está em situação surreal, com movimentos em “W”. “Em dezembro estávamos animados e havia expectativas e agora, em março, estamos com a situação de saúde no pior momento, além da política polarizada. E tudo isso influencia na economia”, constatou. Porém, ele se mostrou otimista e aposta na melhora da crise sanitária antes do final do primeiro semestre.

Em relação ao agronegócio mundial, o professor disse que as notícias são muito boas para o Brasil, com aumento das demandas mundiais pelos produtos brasileiros. Além disso, ele falou que está havendo aumento nas demandas mundiais de biocombustíveis, setor no qual o Brasil também desponta. “No Brasil, as estimativas de crescimento são acima da safra passada. A área plantada aumentou em 2,5 milhões de hectares e o valor bruto da safra desse ano é de R$ 1,14 trilhão”, explicou. Porém, ele adverte que é importante o Brasil ser fornecedor sustentável de agroprodutos e, para isso, deve trabalhar os indicadores, que são muito bons, mas é preciso investir em relatórios de sustentabilidade.

Outros conselhos do especialista são aplicar planejamento para “ficar melhor antes de ficar maior” e cuidar das pessoas, investindo em treinamento, capacitação e cuidados. Quanto aos produtores, Neves sugeriu que tenham a mente aberta para aceitar novas tecnologias. “A gestão de propriedades agrícolas deve ser por metro quadrado e não mais por hectare, tem que ser de precisão. Com isso, os desperdícios vão diminuir e aumentar a sustentabilidade”.

 

FEIJÃO DE ALTA PERFORMANCE – O webinar desta quinta-feira teve também a apresentação do projeto Feijão de Alta Performance, uma ação realizada em parceria entre a Afubra e a Embrapa. Em vídeo, foram apresentadas as metas de cultivo de grão de alta produtividade como uma opção rentável de diversificação.

 

 

PROGRAMAÇÃO

Dia 19 de março de 2021, sexta-feira

Webinar: Agricultura familiar: diversificação, produção e renda

Convidados: tesoureiro da Afubra, Marcílio Drescher; representante da FAO no Brasil, Rafael Zavala Gomez del Campo; presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri; secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do Mapa, Fernando Schwanke; e o produtor rural, Giovane Weber.

O Conecta Expoagro Afubra é transmitido pela página da Afubra no Facebook e canal no youtube, às 14 horas.

 

APOIO – A programação do Conecta Expoagro Afubra – Especial online, ligando o campo e a cidade conta com o patrocínio da empresa Syngenta.

 

 

Texto: Jornalista Cristina Severgnini/Especial para a Afubra

Imagem: Divulgação/Afubra

Andressa de Oliveira

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