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Em tempos difíceis, solidariedade dá esperança de mundo melhor

Para enfrentar o mal causado pelo novo coronavírus, voluntários usam o altruísmo como forma de encontrar o bem

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É na dificuldade que o ser humano consegue perceber quem está disposto a ajudar. É nos momentos complicados que é possível reconhecer a união que é capaz de mudar o dia de alguém. Nesta época em que se vive uma pandemia, que já matou mais de 38 mil pessoas em todo o mundo, são as boas ações de empatia, solidariedade e altruísmo que chamam a atenção em meio a tantas más notícias.

No Vale do Taquari que é cortado por uma rodovia federal, a BR-386, e outras diversas estradas estaduais, a preocupação com aqueles trabalhadores que não podem parar e que são os responsáveis por levar alimentos para milhares de residências é o foco das ações solidárias. Essa classe é a dos caminhoneiros. Eles e elas passam horas dirigindo e, quando param para fazer refeições, têm encontrado dificuldade, pois muitos restaurantes estão cumprindo as orientações das autoridades e se mantendo fechados.

As ações de entregas de marmitas, lanches e água têm ocorrido quase que diariamente em frente à unidade da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Lajeado, no Bairro Conventos. Mais do que ajudar, os voluntários realizam as entregas de alimentos como forma de gratidão aos motoristas que não podem realizar isolamento domiciliar.

Na manhã de ontem, entre 11h30min e 12h, a ação voluntária foi realizada pelos proprietários da Mecânica Diesel Franciosi, que tem como clientes os caminhoneiros. “A gente depende do transporte deles, no dia a dia, no comércio, na comida, tudo depende deles”, diz o proprietário da empresa, Ronaldo Franciosi.

Além de doações que foram recebidas, os voluntários gastaram cerca de R$ 450 para a produção. Na ocasião foram entregues 50 unidades de almoço e garrafas de água mineral. O prato do dia continha feijão, arroz, aipim, farinha de mandioca, salsichão e frango. A preparação ficou por conta de João Batista, proprietário do restaurante e chopperia Batista, de Estrela.

Um dos trabalhadores que recebeu o almoço foi Marco Flores, caminhoneiro que passava pela 386 com destino a Rio Grande. Ele conta que após percorrer muitos quilômetros, já passou por alguns locais de doações como a realizada em Lajeado. “Muito bacana, de coração. Os restaurantes estão fechados, se não são essas pessoas a gente não almoça”, relata Flores.

Siga em Frente, Caminhoneiro

As ações fazem parte da campanha Siga em Frente, Caminhoneiro, da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que busca auxiliar grupos de de voluntários dispostos a realizar a entrega de alimentos e artigos de higiene aos caminhoneiros. Conforme o chefe substituto da 4ª Delegacia da PRF, Marcos Schmitz, as iniciativas começaram a ganhar muita força na metade da semana passada e agora todos dias têm ações agendadas para ocorrerem em frente à unidade de Lajeado.

As pessoas que decidem doar alimentos geralmente são ligadas de alguma forma com a categoria e possuem familiares caminhoneiros. Outras, simplesmente são empresas ou entidades que querem colaborar com os trabalhadores. “Todo dia estão sendo distribuídos entre 50 e 100 doações, como vianda, café, cachorro-quente. A gente combina os dias e eles vêm. Mas é importante dizer que é preciso entrar em contato com a PRF, não pode simplesmente parar em um lugar da rodovia federal e querer fazer doação, porque pode dar acidente”, ressalta Schmitz.

Máscaras para a linha de frente

O acupunturista Chodi Luiz Maruyama já é acostumado a participar voluntariamente de ações solidárias. Desta vez, com a pandemia de coronavírus e com a necessidade de as pessoas usarem máscaras de proteção, ele resolveu ajudar também. “Não poderia ficar de braços cruzados neste momento tão delicado diante de uma iminente tragédia”, diz.

Ele explica que, devido à falta de equipamentos de proteção individual no mercado, está produzindo máscaras de tecido para doar a funcionários do comércio essencial e de instituições, como os Correios a Polícia Rodoviária Estadual. “Resolvemos confeccionar algumas máscaras de tecido para doar às entidades e pessoas que estão na linha de frente e que precisam se proteger e também evitar a transmissão do vírus. Sabemos que é difícil conter totalmente mesmo com máscaras, mas vai ajudar muito.”

De acordo com Maruyama, a expectativa é de que se confeccionem aproximadamente duas mil máscaras. “Todo o material pronto é passado a ferro e embalado em saquinhos plásticos, individualmente”, detalha. Junto ao acupunturista, também atuam as voluntárias Mara Cristina e as costureiras Nelzira, Gládis, Márcia e a Marli. “Esperamos que toda a comunidade esteja atenta às recomendações de manter distância razoável e evitar aglomerações, lavar as mãos sempre”, completa.

União e fortalecimento

A psicologia explica que é instintivo do ser humano a busca pela sobrevivência e a união ocorre porque é também um modo de subsistência. “Nesse momento, a solidariedade, de um modo geral, está mais aflorada porque todos estamos focados em uma mesma direção, que a de é sobreviver”, explica a psicóloga Daniela Duarte.

Ainda conforme a profissional, nesse período de incertezas, o cérebro humano passa a mensagem de que para sobreviver é preciso estar nutrido, alimentado e forte. “É um movimento natural nosso.”
Daniela salienta que o não-julgamento é um ponto importante, pois uma pessoa não conhece a realidade de outra, e em crises, o ser humano tem a tendência de ser menos crítico e mais empático. “Não é a toa que todos países que viveram guerras, pandemias e outras situações extremas evoluíram muito depois de passar por privações e momentos difíceis. A gente tem uma tendência a se unir e se fortalecer para manter a sobrevivência.”

Fonte: Informativo do Vale

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Sandra Meotti

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