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ESPUMOSO | “Tatuagem é arte não verbal que retrata os sentimentos de quem as carrega”

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Seja para marcar um momento importante, fazer uma homenagem ou simplesmente fazer algo estético as tatuagens tem suas origens muito antes de Cristo e com o passar do tempo e dos acontecimentos históricos os estilos de tatuagem foram mudando, assim como o público.

Podemos dizer que estamos vivenciando alguns anos já o auge das tatuagens, jovens, adultos e idosos, todos buscam algo no ato de expressar seus sentimentos. Um tabu vivido por muitos no passado que foi quebrado com o passar do tempo. Andréia Biazzi Moraes é Tatuadora Profissional e Especialista na Área.

Andréia evidencia que a “Tatuagem é arte não verbal que retrata os sentimentos de quem as carrega”. Por isso é uma responsabilidade grande do tatuador transformar estas expressões, precisa-se entender o que as pessoas querem e como elas querem e traduzir isso tudo em desenho. Ela especifica que se deve ter respeito por esses sentimentos, porque sempre existe um motivo da pessoa buscar e querer uma tatuagem.

Segundo Andréia as pessoas normalmente vêem na tatuagem uma linda forma de homenagear alguém, um animal de estimação ou buscar no desenho uma representatividade de algo que a pessoa busque como força, proteção, sensualidade, estilo, entre outros. “Eu vejo também a tatuagem como forma de cura, algo que a pessoa precise para encontrar forças para seguir em frente. E eu me sinto realmente grata quando me escolhem para isso”, salienta.

Sua história

Andréia nos conta que sempre aprendeu de forma rápida os trabalhos manuais e que sempre gostou de desenhos. “Fiz até um curso de pintura e desenho enquanto estava na escola. Então o tempo foi passando e fui em busca de outros caminhos, mas um dia ganhei uma tatuagem de presente e a tatuagem acabou que não ficou como deveria ser e isso desencadeou em mim a vontade de desenhar novamente”, comenta. Depois deste fato ela conta que foi aprender a arte de tatuar em Porto Alegre com profissionais renomados e que atuavam a muitos anos na profissão e se apaixonou. “Precisei acreditar em mim mesma e nunca mais parei de estudar e aprender com artistas de vários lugares do país”, diz.

Andréia começou seu trabalho com o básico em 2014 e hoje tem especialização em pontilhismo, em Fine Line, em realismo minimalista, em cobertura, ornamental e também em micropigmentação de sombrancelha, olhos e labial.

Antigamente as tatuagens eram feitas com diversos materiais e traços grosseiros, mas com a popularização a indústria criou máquinas potentes e agulhas super-finas. E segundo a Andréia com isso diversos estilos de tatuagens surgiram como o Pontilhismo, Geométrico, Aquarela, Portraist, Oriental, Cover Up, Old School, New School, Bold Line, Fine Line, Minimalista, Realista e Whip Shading, entre outros.

Preconceito

Segundo ela ainda existe um certo preconceito em empresas mais conservadoras, embora implícito. “Pois hoje já esta previsto em lei que prevê crime a discriminação de não contratar ou diminuir alguém por ter ou fazer tatuagem e ter piercings”, comenta. Por isso ter bom censo de todas as partes é importante. “Por exemplo, aquele empregado que precisa contatar clientes mais conservadores, precisa saber que seria melhor não mostrar tanto a tatuagem pelo menos naquele momento”, diz. Mas Andréia comenta que pelas conversas que ela tem com os seus clientes são poucas as empresas que ainda tem certo preconceito.

“A mesma coisa na religião, algumas igrejas não permitem, acham “coisas do diabo” e profanação do corpo, indaga. Mas segundo a tatuadora muito desta discriminação vem da marginalização do começo

da tatuagem. Mas segundo ela o tabu de que o caráter não é medido pelas tatuagens esta sendo quebrado e instalado na mentalidade das pessoas que é uma forma expressão, de arte.

Escolha

Segundo ela as pessoas entram em contato primeiramente pelas redes sociais, solicitam referências, o local ideal, e o tamanho aproximado, então a arte é feita e enviada para aprovação da pessoa, mas geralmente os detalhes são ajustados no dia marcado para realizar a tatuagem. “Após ser feitas todas as alterações necessárias tiramos o decalque e colocamos na pele, o cliente olha no espelho e aprova o local e a partir daí a mágica acontece”, salienta Andréia. Ela comenta que tem algumas tatuagens que demoram longas horas e algumas são tão rápidas que faz com que as pessoas queiram mais.

Andréia comenta que a maioria já chega certo do que quer, mas para aqueles que têm dúvidas, ela senta e conversa até chegar a uma arte que a pessoa aprove. “As pessoas normalmente quando decide fazer a tatoo precisa decidir o lugar, depois o tamanho. Muitos escolhem onde dói menos, outros por onde ficaria mais bonito, isso é algo bem pessoal”, explica.

Mas segundo ela quando a pessoa chega realmente indecisa e com dúvidas como, dor, lugar, tamanho ou até o medo de fazer e se arrepender. Então ela explica. “Se for pela dor, mostro quais são os lugares que doem menos, mas cada pessoa tem uma tolerância diferente à dor. Se for pelo lugar colocamos o decalque em diferentes lugares para a pessoa se ver com o desenho. Se for com o tamanho é feito a mesma coisa tiramos o desenho de diferentes metragens para ver qual encaixa melhor. E se a pessoa fica na dúvida se faz ou não, eu recomendo então a não fazer, a ir amadurecendo a ideia e fazer mais pra frente”, especifica.

Pois segundo ela é melhor se arrepender por não ter feito do que fazer e se arrepender mais adiante, pois se isso acontecer a pessoa terá a alternativa de cobrir com outro desenho ou tirar a laser. “As pessoas que se arrependem são geralmente aquelas que fazem a tatuagem por impulso, ou escreve nomes de cônjuge, ou a tatoo não ficou como gostaria”, salienta.

Preferência e cuidados

“Prefiro pintar na pele do que no papel, depois de algum tempo já tatuando consigo visualizar quais escolhas de pintura seria melhor para cada tatuagem e essa parte é incrível, pois existem aqueles desenhos chamados comerciais que são os que todos fazem como o símbolo do infinito, estrelas, borboletas e corações que conseguimos modificar apenas com a criatividade para deixar um novo estilo”, explica Andréia. Ela fala que gosto muito do estilo Whip shading ou rastelado e que também esta se aprofundando cada vez mais nos estudos e práticas do estilo Realismo, pois são trabalhos que segundo ela envolvem muita atenção.

Outra moda do momento é o estilo Fine Line, mas essa é importante explicar para o cliente que o traço é super-fino, então a tatuagem não fica num tom intenso, pois agulha insere menos pigmento na pele. “É uma técnica mais superficial que preserva a delicadeza e a sutileza dos detalhes”, diz. Andréia conta que a manutenção deste tipo de estilo depende muito do cliente. Mas ela lembra que o retoque pode modificar a delicadeza do traço e também modificar após a cicatrização.

“Outra coisa bem importante é que quem decide por fazer a tatoo, eu sempre indico a começar a hidratar o local, pois a hidratação facilita a pigmentação, facilita a recuperação e deixa a tatuagem mais bonita após a cicatrização”, explica. Pois Andréia comenta que após a cicatrização a tatuagem se concentra na segunda camada da pele e se a epiderme que é a primeira camada da pele estiver ressecada a tatuagem parecerá feia. “Por é importante se hidratar e quando for ao sol sempre use o protetor solar”, salienta.

Para Andréia é extremamente gratificante servir de instrumento para alguém que precisa se expressar em forma da arte da tatuagem. “Sempre digo que cada pessoa que chega até mim deixa um pouco da sua história e leva um pouco da minha também. A maioria dos meus clientes sabe que eu realmente amo o que eu faço, tanto que não importa se é domingo ou feriado, eu estou lá entregando o meu melhor”, finaliza emocionada.

“Me libertar, essa foi a idéia inicial”

Daniele Camera que hoje é cliente fiel da Andréia começou a fazer tatuagem aos 37 anos. “Eu fiz a minha primeira tatoo com a idéia de me libertar”, comenta. Ela conta que queria fazer, tinha muita vontade, mas normalmente se sentia presa quando pensava no que os outros iam dizer ou pensar e se deixava dominar pela opinião dos outros. “Eu tenho dois filhos e queria eternizar o amor que eu tenho por eles e foi quando me decidi e fiz a minha primeira tatuagem em 2017 com uma profissional aqui em Ibirubá, onde resido”, conta.

Daniele disse que conheceu o trabalho da Andréia pela internet e em novembro de 2018, fez a primeira tatuagem com ela. E desde então até o momento já fez mais de 80 tatuagens com a profissional pelo tanto que gosta do trabalho que ela executa. “Todas as minhas tatuagens tem um significado, amor, filhos, time, música e versículos bíblicos, não tem nenhuma tatuagem no meu corpo que não conta uma história, todas são para eternizar, enfim lembrar para sempre”, salienta.

E ela nos conta também que gosta muito do trabalho que a Andréia realiza. “O que eu gosto é dos traços finos que ela faz. Qualquer desenho fica perfeito e real, que às vezes me impressiono com a qualidade do trabalho”, evidencia.

Sobre o medo ou dor ao fazer as tatoos ela disse que não tem medo e também não sente dor, que depois de tantas tatuagens feitas passou a não sentir e que é algo normal. “Já estou bem tranqüila na hora de fazer as tatuagens, elas são pequenas e aleatórias e quando faço eu cuido muito, sigo todas as orientações, passo a pomadinha, hidrato bem a pele, tomo muita água, tudo isso até cicatrizar bem”, especifica.

“O preconceito de um modo geral ainda existe, mas não dêem ouvidos ao que os outros dizem se faz bem pra você e é o que você quer, então faz a sua tatuagem”, diz confiante. Daniele comenta que para ela a tatuagem é algo eterno, que marca e que sempre tem um significado. Ela finaliza dizendo que a Andréia é uma grande tatuadora, uma grande profissional, e uma grande amiga, e que confia muito nela e em seu trabalho.

Por, Luciana M. Quetheman – Jornalista – Mtb/RS 11.850 – luquetheman@hotmail.com – Jornal Correio do Mate

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