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Expodireto 2020 | Milho: setor debate alternativas para aumentar produção e qualidade do cereal

Especialistas abordaram a importância econômica, social e agronômica do milho

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O Programa Pró-Milho, da Secretaria Estadual de Agricultura do RS, foi apresentado ao público da Expodireto Cotrijal nesta segunda-feira, durante o 12º Fórum Nacional do Milho. Lançado a partir de decreto do Governo do RS em fevereiro deste ano, o programa tem como objetivos principais aumentar a produção e garantir a qualidade do milho no Rio Grande do Sul, com renda compatível e maior segurança aos produtores.

O cereal é essencial para as cadeias produtivas de avicultura, suinocultura e bovinocultura de corte e leite e sua participação direta e indireta na economia gaúcha chega a 10% do PIB, mas a produção ainda não atende à demanda.

O secretário de Agricultura do RS, Covatti Filho, explicou que o programa foi concebido a partir de uma das principais constatações feitas pelos produtores em 2019: o setor não é autossuficiente. Em função disso, é preciso comprar o produto de outros Estados e o custo acaba ficando muito alto.

“Não adianta dizermos que queremos ser autossuficientes se não dermos as ferramentas adequadas para que isso se concretize. Por isso, o programa está focado em três diretrizes – aumento da produção, qualidade do milho e comercialização e crédito, e é feito a partir de parcerias. Precisamos que as 25 parcerias firmadas no lançamento se multipliquem e também que todos fiscalizem para que dê certo”, destacou o secretário.

Segundo Ivan Bonetti, diretor do Departamento de Política Agrícola e Desenvolvimento Rural da Secretaria de Agricultura do RS, o milho é o cereal mais produzido no mundo e fundamental para o manejo sustentável de sistemas de produção. “O problema é que nosso Estado apresenta produção inferior à demanda em cerca de 1,5 milhão de toneladas ao ano. Este ano, com a estiagem, a falta de milho no Estado, de acordo com a nossa produção, deverá ultrapassar 2 milhões toneladas ao ano”.

Bonetti explicou que o Programa Pró-Milho está focado em outros três subprogramas e que, entre as ações a serem desenvolvidas, estão: intensificar a assistência técnica aos produtores; promover maior eficácia tecnológica na produção; aumentar a produtividade em regiões de menores resultados por hectare; ampliar o número de secadores de grãos; ampliar a capacidade estática de armazenamento e agilizar as contratações de custeio e investimento.

“É evidente que algumas ações estão relacionadas a regiões distintas do Estado. A ideia é uma padronização maior na produção e qualidade do milho gaúcho”, concluiu. O primeiro contrato do Programa Pró-Milho foi assinado na tarde desta segunda-feira e está relacionado a um projeto de irrigação em uma propriedade de 30 hectares.

Essencial para o sistema produtivo

A importância da cultura do milho, com base em seus aspectos agronômicos e econômicos, também foi tema de debates no fórum, no painel intitulado “Milho: produção protetiva”. Especialistas destacaram que o cereal é fundamental na conservação do solo e na rotação de culturas. “Só não expressamos o potencial produtivo de novas variedades de soja porque nos falta milho na cultura antecessora”, afirmou o presidente da Apromilho/RS, Ricardo Meneghetti.

Na avaliação de Jorge Lemanski, chefe adjunto de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo, o milho é essencial para o sistema produtivo no sul do Brasil sob os pontos de vista econômico, social e ambiental. “Traz vários benefícios, entre eles o de ajudar a complexar o solo e possibilitar maior rendimento na soja, no trigo e em outras culturas”. O diretor afirmou que intensificar o uso da terra no ambiente tropical e subtropical do Brasil é a saída para que o setor tenha ganhos crescentes de produção, produtividade e rentabilidade, reduzindo também os riscos da quebra de safra em anos ruins.

José Ruedell, pesquisador e consultor, abordou a cultura do milho como a mais eficaz na proteção e recuperação do solo. Segundo ele, a qualidade do solo é um componente vital da produtividade agrícola, cuja condição é alcançada pela rotação de culturas.

William Weber, da área de soja e milho da Embrapa, disse que, como produtores e indústria, todos têm um desafio de aumentar a produção de milho no Rio Grande do Sul e no Brasil. “Em primeiro lugar pela expansão das usinas de etanol e pelo aumento da exportação. Temos conhecimento, capacidade e incentivo para encarar este desafio diário dos produtores e a cadeia produtiva. A pergunta que fica é: se todos sabem disso, porque não estão fazendo””.

O coordenador do fórum, Odacir Klein, disse ter ficado bastante satisfeito com os debates. “Os participantes tiveram demonstração científica, com técnicos qualificados que explanaram de forma bastante clara e com propriedade sobre a importância da rotação de cultura de milho e soja. Caso os produtores não se atentem a isso e deixem de fazer, poderemos ter sérios problemas no futuro”, alertou Klein.

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Gemerson Rogerio Santos

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