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Li um texto muito bom sobre “não adultizar crianças”.

Com argumentos e reflexões que sempre me fazem parar e analisar o comportamento de minha filha, de 6 anos

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Li um texto muito bom sobre “não adultizar crianças”. Com argumentos e reflexões que sempre me fazem parar e analisar o comportamento de minha filha, de 6 anos.
Uma menina típica da geração atual. Inteligente, sagaz, argumentativa e muito adulta para sua idade. Assim como a sua, provavelmente.
Uma menina que é filha única e que convive com adultos boa parte do tempo que está longe da escola. Uma menina que vê a mãe acordar, se arrumar, se maquiar todos os dias e às vezes muitas vezes ao dia, dependendo do trabalho e dos compromissos que assumo.
Uma menina que brinca, que ri, que faz birra, que tem suas bonecas e que suja o pé na terra. Que tem uma horta na casa da vovó, que adora brincar de fazer comida, e faz deliciosos bolos de verdade.
Que chora cansada e ainda pede mamadeira, que deve ser o cordão umbilical que a liga ao bebê que era ontem. Um cordão que eu deixo existir enquanto ela quiser que exista.
Mas também uma mocinha que adora usar roupas de adulto, batom, e que sai para pintar as unhas. Não vejo isso como um problema, pois na cabecinha dela, isso também é diversão.

Mas quero dividir com vocês uma experiência.
Saí para comprar para ela uma roupa nova, para uma ocasião especial. Um vestido abaixo de seus joelhos, rodado, com um lindo babado, mangas bufantes, uma estrela brilhando bordada de lantejoulas na frente. Um laço de fita enorme, para enfeitar seus cachos dourados.
Quando vi ela pronta, meus olhos se encheram de admiração pela obra prima que eu mesma tinha criado. A criança mais linda, meiga, doce do mundo. Que me olhava com olhos tristes, séria e chateada.
Que simplesmente me falou, com uma sinceridade cortante: me sinto uma palhaça.
Eu queria manter sua imagem infantil. Mas essa imagem já não condiz com a garotinha que ela é. A garotinha que preferiu uma blusa de renda e uma bermuda jeans. Que soltou seus cabelos e que disse que doaria o laço para uma criança menor que ela.
Lembrei de um dos filmes que marcou minha vida: “Entrevista com o Vampiro”, quando descumprindo a regra do mundo vampiro, a pequena Cláudia é transformada em vampira por Lestat, para manter a atenção de Louis.
Cláudia foi amada, idolatrada em sua infância vampira. Mas vampiros não morrem, e por consequência, não envelhecem. Cláudia, a imortal de 6 anos de idade, órfã e assassina, vítima e monstro, representada por Kirsten Dunst na versão cinematográfica é inquietante. A perspectiva de Cláudia, com uma mente adulta eternamente aprisionada em um corpo infantil, nos mostra uma nova gama de conflitos e contradições também para os dias atuais.
Aquele filme marcou minha vida, como de muitas pessoas de minha geração. E hoje também me traz esse aprendizado.
Nossas crianças crescem mais depressa, pois o mundo traz muitos estímulos para isso. Por mais que as protejamos e por mais que permitamos que vivam suas infâncias, crianças amadurecem mais depressa.
Negar seus interesses, podar suas vontades, definir regras que valiam para nós, crianças dos anos 70, 80, 90… não é mais educar. É impor.
Elas não viveram nosso tempo, não possuem nossos parâmetros. Nasceram no tempo da velocidade da luz! Pode ser que nem todas as mudanças tenham sido para melhor, mas elas aconteceram e o mundo não voltará mais a ser como era.
Nos resta entender nossas crianças, dialogar com nossas crianças, deixar que elas também sejam nossas mestras. Não podemos gritar regras, precisamos prepará-las para que elas mesmas possam identificar o que é bom e o que é ruim.
O medo, a falta de diálogo, a negação da realidade, só vão gerar pessoas frustradas, incompreendidas, rebeldes.
Eu percebo que minha filha, aos seis anos, precisa sim de limites. Mas cada um desses limites só pode ser compreendido na base do diálogo e do respeito.
Respeito pela pessoa que ela é, apesar da pouca idade que tem.
Portanto, concordo que não devemos adultizar nossas crianças.
Mas tratá-las como seres sem opinião própria, sem direito à voz e sem poderem defender seus desejos, tampouco vai resolver.
Um beijo!

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Gemerson Rogerio Santos

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