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Serviços e indústria são os principais impactados pela Covid-19, aponta estudo do DEE/Seplag

Análise reforça necessidade de a União repor perdas na arrecadação de Estados e municípios

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Índices de institutos oficiais referentes ao impacto do novo coronavírus na economia brasileira ainda estão em elaboração, mas dados apurados pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) mostram os efeitos da pandemia nos números da indústria e serviços, os mais afetados pela crise.

Em março, o índice desenvolvido pela empresa de informações global IHS Markit para avaliar a atividade de negócios nos dois setores registrou o nível mais baixo desde o início da série, em março de 2007. O índice de 37,6 pontos ficou abaixo dos 50,9 registrados em fevereiro, queda maior do que a ocorrida durante a recessão do período entre 2014 e 2016.

Este e outros indicadores foram analisados no estudo “Covid-19: medidas e indicadores econômicos internacionais“, elaborado pelo Comitê de Análise de Dados no âmbito do Grupo de Trabalho (GT) de Atividade Econômica. O grupo, instituído pelo governador Eduardo Leite e coordenado pela secretária da Seplag, Leany Lemos, é formado por pesquisadores do Departamento de Economia e Estatística (DEE/Seplag), servidores e especialistas externos.

O material, elaborado pelos pesquisadores do DEE Martinho Lazzari, Tomás Torezani e Fernando Cruz e pelo assessor da Seplag Januário Espíndola, apresenta indicadores de atividade econômica e as medidas de isolamento adotadas em diversos países.

Como indústria e serviço são setores importantes para a arrecadação de tributos do governo estadual, uma atenção especial foi dada aos dados existentes sobre a sua movimentação. Além do índice da IHS Markit, diversas pesquisas indicam a redução das atividades em segmentos como o de veículos, que registrou queda de 18,5% nos emplacamentos em março comparado com o mesmo período de 2019, assim como as vendas no comércio tiveram variação negativa de 13,7% no país no mês passado comparada com o terceiro mês do ano anterior. A pandemia também impactou a demanda e o acesso a insumos ou matérias-primas nas empresas.

Na análise da secretária de Planejamento, o estudo reforça a necessidade de o governo federal recompor as perdas na arrecadação tributária de Estados e municípios. “Todas as economias mundiais estão enfrentando uma situação jamais vivida antes. A queda de arrecadação será em todos os níveis, mas os governos centrais de diferentes países estão em socorro aos entes subnacionais, pois são estes os maiores responsáveis na prestação de serviços à população”, ponderou Leany Lemos. Ela lembra que, diante das medidas de isolamento social necessárias para conter o avanço da Covid-19, os impactos no consumo têm reflexos diretos na receita do ICMS e ISS.

Aprovado pela Câmara Federal, o projeto que prevê a ajuda da União para que governadores e prefeitos possam enfrentar a crise causada pelo coronavírus aguarda votação no Senado. A proposta estima que o auxílio para repor as perdas de arrecadação seria de R$ 89,6 bilhões no período de seis meses.

O Índice de Gestores de Compras (PMI, na sigla em inglês), outro indicador globalmente utilizado para análise em temas como produção, emprego, nível de estoques, novas ordens de compras e entrega dos fornecedores, também aponta o setor de serviços como o mais impactado no mês de março em todo o mundo, especialmente em segmentos como turismo, mercado imobiliário e transportes.

Repercussão no mundo

As medidas econômicas adotadas desde o início da crise por diversos países para sustentar os níveis de emprego e renda também foram analisados no estudo do Comitê de Dados. Os indicadores mostram o Brasil está atrás de países como Estados Unidos, França, Alemanha, China, Itália e Espanha. Conforme material publicado por pesquisadores no Centro de Pesquisa de Política Econômica (Cepr, na sigla em inglês), o país está na 59ª posição em um ranking elaborado a partir da análise das medidas fiscais, monetárias e cambiais já implementadas em 166 países desde o início do ano.

Na comparação com outros acontecimentos de repercussão mundial, a crise do coronavírus atingiu um patamar de incerteza superior ao de momentos como a Guerra do Iraque e o surto de síndrome respiratória aguda grave (Sars), em 2003, e as tensões comerciais entre China e Estados Unidos, em 2019, no Índice de Incerteza Global (WUI, na sigla em inglês). Esse indicador avalia o número de vezes que o termo “incerteza” é mencionado em relatórios elaborados por 143 países. No primeiro trimestre de 2020, o índice chegou a 392,15 pontos, o maior patamar da história, superior aos 285,13 pontos do segundo trimestre do ano passado e aos 242,64 pontos do segundo trimestre de 2003.

Medidas de isolamento

A partir de dados da Blavatnik School of Government, da Universidade de Oxford, o estudo traz também um panorama global sobre as medidas de contenção adotadas por diferentes governos à Covid-19. O índice de rigor avaliado leva em consideração sete indicadores (fechamento de escolas, universidades e locais de trabalho, cancelamento de eventos públicos, limitação do transporte público, campanhas públicas de informação, restrição ao movimento interno e controle de viagens internacionais).

O indicador, calculado em uma escala que varia de 0 a 100, mostra que em 5 de abril o Brasil (76,19) adotava medidas mais rigorosas do que os Estados Unidos (66,67) e menos restritivas quando comparado com Argentina (95,24) e Itália (95,24).

“Hoje existe muita incerteza e é provável que todas as economias vão registrar quedas significativas em suas atividades econômicas. A análise dos dados e indicadores existentes permite uma análise do impacto e do que está sendo feito ao redor do mundo, além de auxiliar na avaliação sobre como agir para que o fluxo de renda da economia não seja interrompido e permita uma recuperação mais rápida quando não forem mais necessárias as medidas de isolamento”, explica o pesquisador Tomás Torezani.

Clique aqui e confira o estudo do DEE/Seplag

Fonte: Governo do Estado

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Sandra Meotti

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