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Uso das redes sociais nas Aulas Programadas amplia acesso aos conteúdos digitais

Transmissões ao vivo e interações com seguidores têm gerado mais interesse dos estudantes

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A oferta das Aulas Programadas durante a quarentena tem se mostrado, para muitas escolas e professores, um momento de reinvenção do modo de ensinar. Diversas instituições da Rede Estadual de Ensino buscaram nas redes sociais, que tradicionalmente “competem” com os docentes pela atenção do aluno, aliadas poderosas na aprendizagem oferecida à distância.

Não é de hoje que o coordenador Alexandre Misturini, da 16ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), localizada em Bento Gonçalves, estimula o uso de ferramentas digitais por educadores. Quando era professor no Colégio Estadual Visconde de Bom Retiro, onde depois foi diretor, utilizou blogs, podcasts, QR Code, Twitter e webradios no ensino. Hoje, a instituição, que atende cerca de 600 alunos de Ensino Médio, é referência na região no quesito tecnológico.

Para Misturini, a oferta de ferramentas digitais precisa vir acompanhada de mudanças na metodologia. “A ferramenta pode ser nova, mas não adianta nada, se não mudar a metodologia. Esse processo demora, mas a pandemia o acelerou”, comenta. O coordenador acredita que o período de quarentena tem estimulado muitos docentes a se adaptarem aos meios digitais e a perderem o preconceito com eles.

Um dos ganhos, é que não são mais só os alunos que estão tendo acesso ao conteúdo apresentado em aula. “Os próprios pais estão aprendendo e está se popularizando o conteúdo em sala de aula para a comunidade como um todo. A sala de aula chega à casa do aluno, não só para ele, mas para todos”, destaca o coordenador, que também tem percebido uma troca maior de informações entre os educadores, para construir aulas melhores.

O atual diretor do Bom Retiro, Eldo Dorneles Junior, usa a página da escola no Facebook e um blog para atualizar pais e estudantes. Para as aulas, os professores têm autonomia para decidir quais ferramentas usarão. Muito seguem utilizando plataformas que já empregavam antes, como o Google Classroom e o Edmodo. Há outros, mais familiarizados com o formato, que criaram canais no YouTube e lá postam aulas gravadas, que podem ser acessadas por qualquer pessoa. Também há docentes que utilizam o Twitter para a interação com os estudantes. Com acesso exclusivo para alunos, outra ferramenta, a Able, permite a criação de “trilhas” de conteúdo que, se acompanhadas até o fim, geram um certificado daquele módulo.

Com tantas alternativas tecnológicas, o diretor afirma estar conseguindo atingir praticamente todos os alunos. “Quem não está fazendo é porque não quer”, destaca.

Engajamento nas redes para manter o vínculo

Na 2ª CRE, a Escola Técnica 31 de Janeiro, de Campo Bom, tem realizado transmissões ao vivo (lives) na conta no Instagram da instituição de ensino duas vezes por semana, que podem ser acompanhadas por qualquer um de seus mais de 1,6 mil seguidores – número bem superior aos 820 estudantes matriculados. Os assuntos são diversos: gripe espanhola e 1ª Guerra Mundial, história do cinema, alimentação e dicas de português estão entre os temas abordados. Todos os vídeos recebem tradução posterior para libras do tradutor-intérprete Diogo Trindade, servidor do colégio.

Além da participação do corpo docente da escola, professores de fora também têm aparecido nas lives, gerando o interesse de pais e alunos de outras instituições de ensino da região. “Nosso número de seguidores aumentou. Temos o acompanhamento de muitos pais por ali e também buscamos divulgar informações para a comunidade de Campo Bom”, comenta a diretora Fabiana Oliveira.

No Instituto Estadual Seno Frederico Ludwig, de Novo Hamburgo, a inserção mais forte de meios digitais na vida de seus 1.035 alunos foi ao encontro do objeto de pesquisa da tese de doutorado do diretor da escola, José Silon Ferreira, que estuda justamente a interseção entre juventude e mídias sociais na educação.

Os professores do colégio adotaram videoaulas, Classroom, WhatsApp, Facebook e Instagram para se comunicarem com pais e estudantes. O diretor já fez transmissões ao vivo com um aluno e uma empresária do município que já estudou lá e, na semana que vem, terá um pai como convidado. Uma bolsista de Ferreira na faculdade, ex-aluna da escola, tem auxiliado nas redes sociais. Para gerar engajamento, a instituição lançou desafios: as turmas que mais interagirem nas ferramentas online ganharão um acampamento de fim de semana na região e um passeio cultural por Porto Alegre quando acabar a quarentena.

“A gente conseguiu segurar eles pelas redes sociais e eles vieram, então, para o Classroom, onde estamos trabalhando com as Aulas Programadas”, explica Ferreira. A estratégia é manter o vínculo dos estudantes com a escola a partir do Instagram, principalmente, para que eles se mantivessem interagindo com a instituição.

Fonte: Secretaria da Educação RS

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Sandra Meotti

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